Por que não há número aqui
Nenhum valor de aparelho aparece aqui, de propósito. A regra que impede é a do art. 44, inciso I, do Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012): é infração ética a publicidade com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia. Se o site trouxesse um número, estaria anunciando por uma clínica, e quem responderia ao conselho seria ela. O valor chega a você no orçamento individual, depois do exame, e o art. 19 diz que os custos dos honorários devem ser comunicados previamente ao paciente. O que cabe a esta página é mostrar o que faz esse orçamento mudar. A regra está detalhada em por que dentista não publica preço.
O tipo de aparelho
Existem aparelhos fixos, colados aos dentes, e removíveis, que o paciente tira e coloca. Os fixos podem ser de materiais diferentes, mais ou menos discretos, e há ainda os alinhadores transparentes, que ganharam espaço nos últimos anos. A escolha do tipo depende do caso e é do dentista, junto com o paciente. A página sobre aparelho ortodôntico e a sobre alinhador invisível explicam o que cada um é.
O que interessa para o orçamento é que o tipo muda a conta. O material, a forma de fabricação e a necessidade de peças sob medida têm peso. Mas o contrário também vale: um tipo mais caro de produzir não significa um tratamento mais adequado. O orçamento deve dizer qual aparelho foi escolhido e por quê, e este site não indica um tipo como superior para ninguém.
A duração do tratamento
Tratamento ortodôntico leva meses ou anos, e o prazo depende do caso e da resposta do paciente. Como o Código aponta, o tempo utilizado no atendimento é um dos critérios que o profissional considera ao fixar honorários. Na prática, orçamentos de aparelho costumam ser construídos sobre uma duração estimada, e é aí que mora a primeira pergunta: o que acontece se o tratamento passar do previsto? Há clínicas que mantêm o total, outras que cobram a manutenção adicional. Pergunte e anote.
A documentação inicial
Antes de instalar o aparelho, o ortodontista costuma pedir exames, fotografias e modelos ou escaneamento da boca, que formam a documentação do caso. Há clínicas que a incluem no orçamento do tratamento e há as que a apresentam como etapa à parte. O planejamento também pode ser entregue por escrito ou apenas explicado. Quem compara orçamentos precisa verificar se ambos contam com essa fase.
Consultas de manutenção
Em tratamentos com aparelho fixo, as consultas de manutenção são periódicas e fazem parte da rotina. O orçamento pode incluí-las no total ou cobrá-las a cada visita. As duas formas são legítimas, mas produzem contas diferentes, e é comum que a diferença entre dois orçamentos esteja exatamente aí: um mostra o valor "de instalação" e o outro, o valor do tratamento completo. Pergunte quantas consultas estão previstas e se elas estão incluídas.
Procedimentos associados
Alguns casos pedem extrações, mini-implantes, aparelhos auxiliares ou tratamento de outras especialidades em paralelo, como periodontia. O orçamento deve dizer se esses itens são previstos e se estão dentro do total. Quando o dentista ainda não sabe se serão necessários, o documento pode indicar essa possibilidade e dizer como ela será tratada, em vez de deixar o assunto para depois.
Contenção depois do aparelho
Quando o aparelho é retirado, os dentes costumam precisar de contenção, por um período que varia conforme o caso, para que a posição se mantenha. É uma fase do tratamento, e o orçamento deve dizer se ela está incluída, por quanto tempo é acompanhada e quem arca com reparo ou reposição da peça. Esse é um dos pontos mais frequentes de surpresa: o paciente conclui o aparelho acreditando que acabou e descobre que a contenção é outro item.
Quebras, reposições e urgências
Peças soltam, arames saem do lugar, alinhadores se perdem. Um orçamento claro diz o que acontece nesses casos: se a reposição está incluída, se há limite, se o atendimento extra é cobrado. Também convém saber como entrar em contato quando algo quebra fora do horário. Tratamento sem esses detalhes combinados costuma gerar conflitos pequenos que se acumulam.
Quem conduz o tratamento
A ortodontia é uma das especialidades reconhecidas pelo CFO, e o título é registrado no CRO. O Código veda intitular-se especialista sem inscrição da especialidade no Conselho Regional, e quem anuncia a especialidade deve ter o título. Isso não significa que só especialistas possam tratar; significa que, se a clínica anuncia especialista, o título deve existir. A página de ortodontia explica a especialidade, e o que significa ser especialista mostra como conferir. O orçamento deve identificar o dentista responsável e o CRO.
Aparelho em crianças e adolescentes
Em pacientes que ainda estão crescendo, o tratamento ortodôntico pode ter fases, com uma etapa de orientação do crescimento e outra de alinhamento. O orçamento, nesses casos, precisa dizer em que fase o tratamento está sendo proposto e o que se espera da fase seguinte. Há propostas que cobrem só a primeira fase e deixam a segunda para depois, o que muda a leitura do total. A conversa com o dentista deve incluir o que vem depois, mesmo que ainda não seja possível cravar uma data.
Aparelho em adultos e tratamentos combinados
Em adultos, o aparelho muitas vezes faz parte de um tratamento maior, em conjunto com periodontia, prótese ou implante. Nessa situação, a ortodontia prepara a boca para outra etapa, e os orçamentos podem vir de profissionais diferentes. Vale pedir que cada orçamento diga qual é a sua parte e como se encaixa nas outras, para evitar que um item seja contado duas vezes, ou nenhuma.
O que levar para a consulta
Sem campo de valor, de propósito: a lista confere o que está descrito, não quanto custa.
O art. 11 do Código considera infração ética deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento, e todas essas perguntas decorrem dele. Para organizar a conversa, use o que o orçamento odontológico tem que conter. Se tiver duas propostas, veja como comparar dois orçamentos. Quem tem plano pode ler aparelho e plano odontológico, e quem depende do sistema público, aparelho ortodôntico pelo SUS. Para procurar clínicas, use a busca por cidade.