O Odontos não publica preço de tratamento odontológico porque o Código de Ética Odontológica considera infração ética fazer publicidade com preços, e um valor publicado aqui seria publicidade de uma clínica, feita em veículo de terceiro, contra a regra do conselho que rege essa clínica. A decisão é editorial e permanente. Ela custa o maior volume de busca do tema, e o site assume esse custo porque a alternativa seria expor as clínicas listadas a processo ético.
A regra, no texto
O art. 44, inciso I, do Código de Ética Odontológica, aprovado pela Resolução CFO-118/2012, lista como infração ética fazer publicidade e propaganda enganosa ou abusiva, inclusive aquela feita com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia, ou que contrariem o Código. A Lei nº 5.081/1966, que regula o exercício da profissão, já havia vedado, em seu art. 7º, anunciar preços de serviços, modalidades de pagamento e outras formas de comercialização da clínica que signifiquem competição desleal.
A vedação, portanto, não é uma invenção deste site nem um excesso de cautela. É uma regra do conselho profissional, que se aplica a quem anuncia serviços odontológicos.
Uma correção que vale registrar
Muito material na internet atribui a vedação de preço à Resolução CFO-196/2019. A atribuição está errada. Ao conferir o texto oficial, o que se encontra é outra coisa: a Resolução CFO-196/2019 trata de autorretratos (selfies) e de imagens relativas ao diagnóstico e ao resultado final de tratamentos, e, em vez de proibir, autoriza a divulgação dessas imagens quando feita pelo cirurgião-dentista responsável pelo procedimento, com autorização prévia do paciente por termo de consentimento. Ela mantém proibidos o sensacionalismo, a autopromoção, a concorrência desleal, a mercantilização da Odontologia e a promessa de resultado, mas não é a norma que veda o preço.
A vedação de preço está no Código de Ética, art. 44, inciso I, e na Lei nº 5.081/1966, art. 7º. Quem cita a 196 para falar de preço está citando a norma errada. O Odontos cita a norma correta.
O site não é dentista. Por que a regra importa?
O Odontos é um diretório, não uma clínica, e a rigor o Código se dirige a dentistas e a quem exerce a Odontologia, ainda que de forma indireta. O art. 46 estende o capítulo da publicidade a todos os que exerçam a Odontologia, ainda que de forma indireta, citando clínicas, policlínicas, operadoras de planos e entidades. O site não é nenhuma delas.
O problema é outro. Publicar o preço de uma clínica listada é, na prática, divulgar o anúncio dela em um veículo de terceiro, e o art. 45 determina que, pela publicidade em desacordo com o Código, respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que concorreram na infração, na medida de sua culpabilidade. Quem responde perante o CRO é o dentista, não o diretório. Um site que listasse dezenas de milhares de clínicas e publicasse o valor de cada uma estaria expondo dezenas de milhares de profissionais a um processo ético, apenas para ganhar tráfego. O Odontos prefere não fazer isso.
O que o site não tem
Não há campo de preço no perfil de nenhuma clínica. Não há faixa de preço por cidade. Não há "a partir de". Não há tabela comparativa. Não há calculadora, simulador ou campo numérico de valor em nenhuma página. Também não há valor promocional, parcelamento com número, condição de pagamento nem nome de instituição de crédito. E o site não usa marcação estruturada de preço em nenhuma entidade.
Essa lista não é uma preferência estética: é uma regra de verificação aplicada antes de cada publicação, que impede a entrada de qualquer valor em dinheiro nos textos.
Por que não usar médias de fontes externas
Uma resposta possível seria publicar médias nacionais de preço, de fontes de terceiros. O site não faz isso. Uma média de um procedimento como o implante mistura casos que não se comparam, como uma única coroa e uma reabilitação de arcada inteira, e mistura cidades, materiais e formas de cobrar. Ela não corresponde a nenhuma proposta real que alguém vá receber. Publicá-la daria uma falsa sensação de referência e poderia induzir o leitor a achar que uma proposta é "cara" ou "barata" sem saber o que ela inclui.
O que o paciente deve esperar do dentista
A regra não torna o preço um segredo para o paciente. O Código determina que o dentista comunique previamente ao paciente os custos dos honorários profissionais, e considera infração ética deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento. O que muda é o canal: o valor chega ao paciente examinado, no orçamento individual, e não ao público em geral, como oferta.
O que o site oferece no lugar
Em lugar do número, o Odontos oferece uma faixa de conteúdo inteira sobre custo. As páginas explicam o que forma o custo de um implante, de um aparelho, de uma prótese e de um tratamento em geral, o que um orçamento deve conter, como comparar duas propostas, o que se costuma combinar sobre garantia e refazimento, o que perguntar sobre pagamento e quando buscar uma segunda opinião. A explicação, do ponto de vista do dentista, está em por que dentista não publica preço, e a lista de itens, em o que o orçamento odontológico tem que conter.
A ideia é que o leitor saiba ler um orçamento quando o receber, e saiba o que perguntar. É uma informação que serve, sem risco para ninguém.
Como isso se relaciona com o resto do site
A mesma lógica vale para outra ausência: o site também não publica avaliações de pacientes, por razões diferentes, explicadas em por que este site não tem avaliação. As duas decisões aparecem em outras páginas do site, que tratam o diretório como fonte de informação verificável, e não como vitrine. A política completa está em política editorial.
Para encontrar clínicas na sua cidade e conferir o registro dos profissionais, use a busca por cidade e, depois, a consulta oficial do CRO.