Um orçamento odontológico claro descreve o que foi encontrado no exame, o tratamento proposto, os materiais, as etapas, o prazo, quem executa, como o pagamento se divide e o que acontece se algo mudar. Quando um desses pontos falta, o total deixa de ser comparável com qualquer outro. A lista desta página serve para conferir um orçamento item a item, antes de aceitá-lo ou de pedir a segunda via a outra clínica.
O que o Código diz, e o que ele não diz
O Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012) não traz um modelo de orçamento. O que ele traz são deveres de informação. O art. 19, parágrafo único, diz que o profissional deve arbitrar o valor da consulta e dos procedimentos respeitando o Código e comunicando previamente ao paciente os custos dos honorários profissionais. O art. 11 considera infração ética deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento, e também iniciar qualquer procedimento sem o consentimento prévio do paciente, ressalvadas as urgências.
Em outras palavras: o conselho espera que o paciente saiba o que será feito, por quanto e com que alternativas antes de começar. O orçamento por escrito é a maneira mais direta de comprovar que isso aconteceu. Quem contrata serviço odontológico também conta com as regras gerais do Código de Defesa do Consumidor sobre orçamento prévio de serviços, e o Procon do seu município pode orientar sobre elas.
Por que esta página não mostra valores
A lista abaixo não tem campo de valor, e a razão é a regra do conselho. O art. 44, inciso I, do Código de Ética considera infração ética fazer publicidade com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia; um número nesta página seria publicidade de clínica contra a regra do conselho dela. Em vez de valores, ela mostra o que o orçamento deve descrever, e deixa o número para o documento que você receber depois do exame. O raciocínio está em por que dentista não publica preço.
Quem faz e onde
Todo orçamento deve dizer quem vai tratar. Isso inclui o nome do dentista e o CRO com a UF, e, quando a clínica é pessoa jurídica, o nome e a inscrição do responsável técnico, que o art. 43 do Código exige nas comunicações. Quando a clínica anuncia especialidade, o orçamento deve indicar o título correspondente. Curso e pós-graduação não equivalem a título; a página o que significa ser especialista explica a diferença, e como conferir o CRO de um dentista mostra a consulta.
Se o tratamento envolve mais de um profissional, como cirurgia e prótese, o documento deve nomear cada um. Isso evita que, depois, ninguém saiba a quem pedir um reparo.
O que foi encontrado e o que se propõe
Um bom orçamento começa pelo diagnóstico, não pelo total. Ele resume o que o exame mostrou e descreve o tratamento proposto de forma específica: qual dente, qual região, qual procedimento. Frases como "tratamento completo" ou "reabilitação" sem detalhe deixam espaço para interpretações diferentes na hora da cobrança.
O documento também deve apresentar alternativas, quando existirem, e dizer o que muda entre elas. Se há mais de um caminho, o paciente precisa poder escolher com informação. Riscos e limites do tratamento entram aqui, em linguagem que você entenda, e é razoável pedir que o dentista repita com outras palavras o que não ficou claro.
Itens, materiais e exames
A lista de itens é o coração do orçamento. Cada procedimento deve aparecer, assim como os materiais de cada etapa. Quando há prótese, o laboratório que a produz costuma ser identificado e o tipo de material fica descrito. Os exames de imagem precisam estar dentro ou fora, de modo explícito. E o orçamento deve dizer o que não está incluído: o que for deixado de fora sem aviso é a principal origem de cobranças inesperadas.
O Código considera infração ética abusar da confiança do paciente submetendo-o a tratamento de custo inesperado, razão pela qual a lista de exclusões vale tanto quanto a de inclusões.
Etapas, prazo e retornos
Um tratamento tem ordem. O orçamento deve mostrar essa ordem, o número de consultas previsto e o prazo estimado do início ao fim. Também deve indicar quais retornos de controle e de manutenção estão incluídos. Em tratamentos longos, como os de ortodontia ou de implante, o prazo muda conforme a resposta do corpo, e o documento precisa dizer como as mudanças serão comunicadas e aceitas.
Pagamento
O orçamento deve dizer em que momento cada parte do pagamento é devida e o que acontece se o tratamento for interrompido ou mudar de plano. O ideal é que o pagamento acompanhe as etapas, e não que seja todo antecipado. Também convém saber que documento fiscal ou recibo será emitido. A página pagamento e parcelamento: o que perguntar trata do tema com mais detalhe, sem indicar nenhuma condição específica.
Garantia, registro e documentos
Combinados de garantia e de refazimento devem estar no papel, com os cuidados que o paciente precisa manter para que valham. A página garantia e refazimento em odontologia detalha o que costuma entrar. O termo de consentimento deve ser assinado antes do início.
O Código obriga o dentista a manter prontuário legível e atualizado, e considera infração ética deixar de fornecer ao paciente cópia do prontuário quando solicitada. Saber disso ajuda: se mais tarde você quiser uma segunda opinião, a clínica deve entregar o que for pedido, e a segunda opinião odontológica fica mais fácil.
Sem campo de valor, de propósito: a lista confere o que está descrito, não quanto custa.
O que vale para tratamentos longos
Tratamentos que se estendem por meses ou anos, como os de ortodontia e de reabilitação com implantes, pedem um orçamento ainda mais cuidadoso, porque o tempo multiplica as chances de mudança. Nesses casos, convém que o documento descreva as fases, diga o que pode alterar o prazo e explique como será feita a revisão do plano caso o corpo responda de forma diferente da esperada. Também é prudente que o pagamento esteja ligado às fases, e que a última parte seja devida só depois que a etapa final estiver concluída.
Se houver troca de profissional no meio do caminho, o orçamento deve prever como a continuidade será assegurada e quem terá acesso ao prontuário. O Código considera infração ética abandonar paciente, salvo por motivo justificável, e determina que nesse caso os honorários sejam conciliados e o paciente informado da necessidade de continuar o tratamento. Saber disso ajuda a entender por que o documento deve falar de interrupção.
Sinais de um orçamento incompleto
- Um total sem itens.
- Um tratamento descrito só pelo nome comercial, sem dente ou região.
- Ausência do nome do dentista, do CRO ou do responsável técnico.
- Nenhuma menção a exames, retornos ou prazo.
- Nenhuma menção ao que fica de fora.
- Pedido de pagamento integral antecipado sem ligação com as etapas.
Nenhum desses sinais prova má-fé. Todos justificam um pedido de esclarecimento por escrito.
Como usar a lista
Leve a lista ao consultório, ou compare-a com o documento que recebeu em casa. Cada item sem resposta é uma pergunta para fazer. Se você tem dois orçamentos, a lista também serve para colocá-los lado a lado, como mostra como comparar dois orçamentos. Para entender o que forma o custo de tratamentos específicos, veja o de um implante, o de um aparelho e o de uma prótese. Para encontrar clínicas na sua cidade, use a busca por cidade.