A resposta curta
Dente quebrado ou trincado deve ser examinado por um dentista, mesmo quando não dói. Existem fraturas que ficam só no esmalte, a camada externa do dente, e outras que atingem a dentina e chegam perto do nervo, e quem vê de fora não consegue diferenciá-las. O tipo de lesão decide o que o profissional faz, e a demora em procurar atendimento pode transformar uma lesão simples em uma complicada.
O Ministério da Saúde, na diretriz sobre traumatismos alveolodentários publicada em 2024, afirma que qualquer traumatismo dentário deve receber avaliação e acompanhamento clínico e radiográfico, por causa do risco de sequelas que não aparecem de imediato. Isso vale também para o dente que parece ter sofrido só uma pequena lasca.
O que o profissional avalia
Quando examina um dente quebrado ou trincado, o dentista costuma observar a extensão da fratura, se ela atingiu a dentina ou a polpa, que é o tecido com nervo e vasos, se há trinca que desce em direção à raiz, se o dente está firme e se os tecidos ao redor foram machucados. A radiografia ajuda a ver a raiz e o osso, e o teste de sensibilidade do dente mostra a condição do nervo.
Com base nisso, o caminho possível varia bastante:
- em fraturas pequenas no esmalte, pode bastar o acompanhamento ou um polimento;
- em fraturas maiores sem exposição do nervo, a reconstrução do dente com restauração costuma ser considerada;
- quando o nervo foi atingido, pode ser necessário tratamento de canal;
- em fraturas muito extensas, a coroa pode ser discutida;
- se a fratura atinge a raiz de forma que impede a manutenção, a extração pode ser a conduta indicada.
Essa lista não prevê o seu caso. Quem decide é o profissional, depois do exame.
Quando a pressa é maior
Alguns sinais indicam que a procura por atendimento não deve esperar: sangramento que não para, dente solto, deslocado ou fora do lugar, dor forte, um ponto avermelhado visível no centro da fratura, que costuma corresponder ao nervo exposto, inchaço no rosto, febre ou dificuldade de abrir a boca. Se o dente saiu inteiro da boca, veja dente que caiu por trauma, que é uma situação em que o tempo pesa muito.
Se a pancada foi forte, sobretudo na cabeça ou no rosto, e houve tontura, desmaio, vômito, confusão ou dor no pescoço, o atendimento deve ser em serviço de urgência médica, antes da questão do dente. Em caso de dificuldade de respirar ou de dúvida sobre fragmentos de dente engolidos ou aspirados, a procura é imediata.
O que costuma ser útil levar
Serviços de urgência em geral pedem informações como a hora e a causa do acidente, se houve perda de consciência e se o dente ou fragmento foi encontrado. Se o pedaço do dente foi encontrado, leve-o ao atendimento, porque em alguns casos o profissional consegue usá-lo na reconstrução. Informe doenças, alergias e medicamentos de uso contínuo. Se o dente era de uma criança, informe também a idade.
Este site não orienta o que passar, tomar ou colocar sobre o dente ou sobre o corte na boca, porque isso depende do exame. Quem atende explica o que fazer até o atendimento ser concluído.
Depois da primeira consulta
O dente que sofreu trauma precisa de acompanhamento ao longo do tempo, porque o nervo pode reagir semanas ou meses depois. Escurecimento do dente, dor que aparece depois, uma bolha na gengiva ou sensibilidade nova são motivos para voltar ao profissional. Se o dente é restaurado, a restauração também exige revisão periódica.
Onde procurar
A página urgência odontológica no SUS explica como a rede pública organiza o atendimento e o que muda por município. Para consultórios e clínicas privadas, o diretório de clínicas mostra o que cada cadastro declara, inclusive urgência, e essa informação é declarada pela clínica e não é verificada por este site. Para entender a dor associada, leia dor de dente: o que pode ser.